Corumbá, 22 de junho de 2010
Fonte: Site FSST
Uma proposta pioneira na região
Centro-Oeste foi lançada na noite desta quinta-feira, 17 de junho, em
Corumbá. Com o “Projeto Habilitar”, o município prepara uma rede para
trabalhar a recuperação e reinserção de crianças e adolescentes com
dependência química. Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) um
levantamento realizado em 2004 com estudantes dos ensinos Fundamental e
Médio, da rede pública, sobre o consumo de drogas psicotrópicas,
apontou contato cada vez mais cedo com o universo da drogadição. Já são
comuns os casos em que o primeiro contato aconteceu aos 10 anos.
O “Projeto Habilitar” é um centro de atenção integral a crianças e
adolescentes com transtornos por uso de substâncias psicoativas, que
atuará – segundo o decreto 793 do Executivo Municipal, datado de 08 de
junho de 2010 – na disponibilização de atendimento médico; psicológico e
social especializado; de terapia ocupacional, individual ou em grupo,
em sistema ambulatorial. O lançamento coincide com a Semana Nacional
Antidrogas, que vai de 19 a 26 de junho.
As ações para a reinserção social e familiar serão trabalhadas por
equipes multidisciplinares compostas por: psiquiatra; pediatra/clínico;
psicólogo; enfermeiro; pedagogo; técnico de Enfermagem; assistente
social; terapeuta familiar; terapeuta ocupacional; arteterapeuta;
educador físico; educador social e oficineiros.
A sede do programa, na rua Delamare 272, foi completamente adaptada pela
Prefeitura de Corumbá para o atendimento. A adequação seguiu normas
técnicas previstas em lei. O imóvel conta com espaços específicos para
as atividades cotidianas dos pacientes – como educação física;
arteterapia e oficinas profissionalizantes –, além de consultórios para
tratamento medicamentoso da intoxicação aguda e abstinência a drogas.
Cidadãos de bem
“Vai ser uma experiência inovadora.
Estamos trazendo profissionais que conhecem e militam na área para nos
orientar. Conversando com o Poder Judiciário, com a UFMS, enfim, com
vários segmentos que podem contribuir para o sucesso desse novo espaço.
Temos uma expectativa muito favorável. (...) O desafio está lançado e
eles querem muito colaborar para que tenhamos sucesso, assim como o CAPS
ad hoje já é um sucesso no que se refere à faixa adulta”, disse a este
Diário o prefeito Ruiter Cunha de Oliveira. “Planejamos um espaço, que
vai dar possibilidade para que se reabilitem e tenham oportunidades para
que no futuro sejam cidadãos de bem”, complementou o chefe do Executivo
corumbaense.
O protocolo de intenções para elaboração de projetos visando a
implantação, em Corumbá, de um Centro de Recuperação da Dependência
Química da Criança e do Adolescente foi assinado no encerramento do
“Primeiro seminário sobre abuso e dependência de drogas entre crianças e
adolescentes – desafios e perspectivas”, realizado no final de setembro
do ano passado, no Centro de Convenções.
“Habilitar” vai trabalhar plano individual de tratamento familiar
A proposta de trabalho do “Habilitar” prevê a triagem como primeira
etapa do atendimento e acolhida à criança e ao adolescente dependente
químico. Essa triagem nada mais é do que a avaliação global do paciente
para a posterior elaboração de um plano de atuação individualizado –
para cada criança – que poderá incluir desde a participação apenas em
oficinas, atividades esportivas e orientações preventivas gerais, até o
encaminhamento para tratamento específico dos casos identificados.
Depois da triagem é que o paciente entrará na fase do atendimento com as
atividades multidisciplinares. As ações contarão sempre com a presença
de responsáveis legais para garantir a efetividade da reinserção
familiar. Para a avaliação e identificação de casos serão deitas
entrevistas com profissionais de especialidades diferentes e aplicados
instrumentos diagnósticos para coleta padronizada de dados, abordando
diversos aspectos do desenvolvimento infantil, incluindo as condições de
saúde atuais e desempenho escolar.
Cada caso
O plano de tratamento individual
atenderá, portanto, às necessidades de cada família. Podem ser
incluídas, por exemplo, atividades como psicoterapia individual; terapia
e orientação familiar; consultas psiquiátricas; reforço pedagógico;
grupos de orientação para temas gerais da infância e adolescência –
sexualidade, relacionamentos e violência.
A frequência nas atividades dependerá da necessidade de cada caso.
Aqueles jovens que não necessitarem de nenhum tratamento específico
participarão de oficinas e atividades esportivas. Todos os pacientes que
necessitarem de medicamentos psiquiátricos e clínicos terão os remédios
fornecidos pela rede básica de saúde. As crianças e adolescentes
ficarão no Centro no turno em que não estiveram na escola. Quem não
estiver estudando terá recolocação escolar trabalhada.
Inicialmente, explicou ao Diário a coordenadora técnica do “Projeto
Habilitar”, Nelma Dib, em uma primeira fase, serão triados os
adolescentes encaminhados pelo Poder Judiciário e que não estejam em
privação de liberdade. Em fases seguintes serão triados os jovens
encaminhados pelas unidades de saúde; Centros de Atenção Psicossocial
(CAPS) e escolas.
Fonte: Diarionline / Diário Corumbaense